O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) avançou, esta quarta-feira, que vários médicos da Unidade Local de Saúde Gaia/Espinho (ULSGE) apresentaram queixas sobre “múltiplas irregularidades”, nomeadamente desregulação de horários, obstáculos à marcação de férias, bem como faltas de pagamentos.

Em comunicado, o SMN refere que as denúncias foram apresentadas ao sindicato na quinta-feira no âmbito da “Caravana da FNAM [Federação Nacional dos Médicos]” e que dessa reunião resultaram “profundas preocupações” devido “a múltiplas irregularidades e práticas que comprometem gravemente o exercício da medicina e colocam em risco a qualidade dos cuidados prestados à população”.

À agência Lusa, a presidente do SMN avançou que entretanto foi remetida na terça-feira uma carta ao conselho de administração da ULSGE.

Entre os problemas denunciados, está a alegada “desregulação sistemática dos horários de trabalho e o incumprimento das regras legais na sua organização”.

Segundo o SMN, os médicos também falam em bloqueios e irregularidades no processo de avaliação de desempenho (SIADAP), obstáculos injustificados à marcação e gozo de férias e entraves à redução do horário de trabalho, nomeadamente no regime de tempo parcial.

O sindicato denuncia, ainda, queixas relacionadas com ausência de pagamento do trabalho de colheita e transplante de órgãos e que aos médicos internos de Gaia/Espinho está a ser imposto trabalho suplementar regular “em clara violação dos seus direitos”.

É ainda referido que há “falta de pagamento das prevenções realizadas por delegados de saúde”.

“Este conjunto de situações revela uma gestão que desrespeita os médicos, ignora as suas condições de trabalho e compromete a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde”, lê-se no comunicado.

A agência Lusa contactou a administração da ULSGE que disse não se rever nas alegações apresentadas.

“A atuação da ULSGE pauta-se, de forma permanente, pelo estrito cumprimento da lei, pelos princípios da legalidade, transparência, boa-fé e responsabilidade na gestão dos recursos humanos e na prestação de cuidados de saúde à população. A instituição mantém-se disponível para o diálogo construtivo e institucional com as estruturas representativas dos profissionais, no respeito mútuo, acreditando que esse é o caminho adequado para a resolução de eventuais divergências e para a melhoria contínua do Serviço Nacional de Saúde”, lê-se na resposta escrita enviada à Lusa.

Reafirmando o “compromisso com a qualidade assistencial, a segurança dos utentes e o respeito pelos direitos e deveres dos seus profissionais”, a ULSGE garante que prosseguirá “a sua missão de servir a população com rigor, ética e responsabilidade”.

in Jornal de Notícias