O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) denuncia a decisão da ULS Alto Ave de impedir os médicos de Medicina Geral e Familiar (MGF), das Unidades de Saúde Familiar (USF), de gozarem férias, previamente acordadas, entre os dias 19 e 31 de dezembro. Conhecida duas semanas após o anúncio da adesão dos médicos à greve geral de 3 de junho, esta medida agrava o descontentamento de profissionais já confrontados com a degradação das condições de trabalho e com sucessivos ataques aos seus direitos. Para o SMN, trata-se de uma tentativa inaceitável de compensar falhas de planeamento à custa de quem assegura diariamente cuidados de saúde à população.

Os médicos de família das USF organizam anualmente os seus períodos de férias de forma articulada, garantindo a continuidade assistencial através dos mecanismos de intersubstituição e da gestão autónoma das equipas. Este modelo tem permitido assegurar cuidados aos utentes mesmo em períodos de maior procura, sem necessidade de medidas arbitrárias ou restrições generalizadas.

A decisão da administração da ULS Alto Ave ignora esta realidade e revela uma lógica preocupante: perante dificuldades de organização dos serviços, opta por sacrificar direitos dos médicos em vez de resolver os problemas estruturais das unidades.

O SMN considera particularmente grave que esta orientação surja depois de os períodos de férias terem sido organizados pelas equipas, criando instabilidade e desmotivação entre profissionais já sujeitos a elevada exigência assistencial.

Os problemas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) não se resolvem cancelando férias, impedindo médicos de descansar ou afastando ainda mais profissionais de um serviço que já enfrenta enormes dificuldades na retenção e recrutamento de recursos humanos.

Quem assegura diariamente cuidados de saúde a milhares de utentes tem direito ao descanso, à conciliação da vida profissional com a vida familiar e ao respeito pelos compromissos assumidos. É inaceitável que, mais uma vez, se procure fazer recair sobre os médicos a responsabilidade por falhas resultantes de opções de gestão e da incapacidade de planear atempadamente as necessidades dos serviços.

O Sindicato dos Médicos do Norte exigiu a revogação imediata desta medida e instou o Conselho de Administração da ULS Alto Ave e o Ministério da Saúde a travarem uma decisão que penaliza os médicos e coloca em causa a valorização dos profissionais do SNS.

Os médicos não podem continuar a ser a variável de ajuste de um serviço que insiste em ignorar quem o mantém a funcionar.