Sindicato acusa médicos de querer rever a remuneração da produção cirúrgica adicional, alterando condições de trabalho já realizado.

O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) acusou, esta sexta-feira, a ULS de Matosinhos de querer rever a remuneração da produção cirúrgica adicional, alterando condições de trabalho já realizado, enquanto administração garante que só está a analisar uma irregularidade detetada.

Em comunicado, este sindicato afeto à Federação Nacional dos Médicos (Fnam) refere que “o conselho de administração pretende rever a remuneração da produção cirúrgica adicional realizada antes da entrada em vigor das novas regras, que apenas produzem efeitos desde 1 de julho”, uma pretensão que considera “inaceitável”, pelo que pediu já uma reunião urgente com os responsáveis desta Unidade Local de Saúde (ULS).

Em resposta à agência Lusa, a administração da ULS que gere o Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, diz que “contrariamente à informação veiculada, não há nenhuma intenção de aplicação retroativa da portaria”, até porque “tal não poderia acontecer porque constituiria uma ilegalidade”, garante.

Mas, referindo que médicos denunciaram medidas que estão a fazer parar a produção cirúrgica em Matosinhos, o SMN reitera que “alterar as condições remuneratórias de trabalho já realizado de boa-fé pelos médicos” é “inaceitável”.

E, falando em “caos instalado”, o sindicato considera que “este é mais um sinal de um problema que está a alastrar a vários hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, pelo que responsabiliza a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, “pela instabilidade criada na sequência das recentes alterações legislativas e da ausência de orientações claras e uniformes sobre a produção cirúrgica adicional”.

in Correio da manhã