O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) realça que o serviço de anestesiologia conta atualmente com 27 especialistas, enfrentando “uma crescente sobrecarga de trabalho, agravada pelas aposentações e saídas sucessivas de médicos”.

O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) afirmou esta terça-feira que o serviço de anestesiologia do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto perdeu seis especialistas nos últimos meses, colocando em risco a segurança dos doentes.

“O serviço de anestesiologia do IPO do Porto atravessa uma crise que ameaça a segurança dos doentes oncológicos. A equipa, atualmente com 27 especialistas, enfrenta uma crescente sobrecarga de trabalho, agravada pelas aposentações e saídas sucessivas de médicos”, salientou o sindicato que integra da Federação Nacional dos Médicos (Fnam).

Em resposta à Lusa, o conselho de administração reconheceu que o IPO do Porto, tal como a generalidade dos hospitais do SNS, “enfrenta uma escassez de anestesiologistas”, uma dificuldade que coloca uma “pressão acrescida” no serviço.

“Para manter a atividade, foi necessário reorganizar o funcionamento do bloco operatório e da consulta”, referiu o IPO, mas assegurou que “nenhum doente é operado sem avaliação anestésica adequada”.

Segundo adiantou, a reorganização permitiu otimizar recursos, fazendo com que, entre janeiro e setembro, tivessem sido realizadas 9.597 cirurgias, mais 2,2% do que no mesmo período de 2025.

De acordo com o SMN, nos últimos meses, a unidade de saúde perdeu três especialistas experientes e três recém-especialistas, que, após concluírem a sua formação, “decidiram não permanecer na instituição” e optaram por ir trabalhar para outros hospitais.

De acordo com a estrutura sindical, para aumentar o número de consultas, o tempo destinado a cada consulta de anestesiologia está a ser reduzido no IPO, contrariando as recomendações internacionais e da Ordem dos Médicos, com “riscos para a segurança dos doentes”.

O SMN adiantou que 23 médicos, que representam a maioria dos especialistas do serviço de anestesiologia, enviaram uma carta ao conselho de administração no final de setembro, manifestando a sua oposição à redução do tempo das consultas, mas “não receberam qualquer resposta”.

“Esta medida é particularmente preocupante num hospital oncológico, onde muitos doentes apresentam maior fragilidade e múltiplas doenças associadas”, realçou ainda o sindicato, ao avisar que a “segurança dos doentes não se comprime em 20 minutos”.

in Diário de Notícias