O Ministério da Saúde lançou 2338 vagas para formação Especializada no Internato Médico que vai iniciar-se em 2027. E, segundo dados da Administração Central da Saúde (ACSS), organismo que gere este processo, candidataram-se 2449 médicos. O processo de escolha começou na quarta-feira, dia 21, e vai até 9 de novembro, tendo os candidatos sido divididos em lotes de 140 por dia.

A primeira colocação nas vagas existentes em todo o país decorreu na manhã desta quinta-feira, dia 22, quando minutos depois das 10h00, a ACSS “executou” o “algoritmo” de um sistema criado de raiz pela Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), que está a ser usado pela primeira vez. Horas depois, ao início da tarde, em comunicado às redações, a ACSS indicava que tinham sido colocados 161 candidatos – alguns ainda de anos anteriores -, dos quais 17 em vagas cativas, ao abrigo do protocolo celebrado entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Defesa Nacional.

Das 2338 vagas faltam agora preencher 2177, no entanto, e tal como acontece todos os anos, só em janeiro se sabe concretamente o número de vagas que foram aceites pelos candidatos e as que ficaram por preencher. Sobre o novo sistema, a ACSS faz balanço positivo dizendo que “todos os candidatos ficaram colocados de acordo com a sua posição na lista de ordenação e foram respeitadas as escolhas por eles previamente manifestadas”.

No entanto, a presidente do Conselho Nacional do Médico Interno (CNMI), da Ordem dos Médicos, Catarina Dourado, confirma ao DN que “minutos depois das colocações terem sido publicadas começámos a ser bombardeados com casos de colegas a dizerem que havia erros e que alguma coisa não estava bem”. A médica conta que a maioria dos casos reportavam a colegas que tinham sido colocados nas segundas e terceiras opções, quando a sua primeira opção mantinha vagas por preencher. “E isto não pode acontecer”, explica. “Estes erros, num processo complicado como é o da colocação de médicos internos, ainda por cima num sistema informático novo, que não foi testado, só aumentam a desconfiança dos médicos”, argumenta Catarina Dourado, continuando: “Mas assim que soubemos destes erros pedimos aos médicos que reportassem diretamente à ACSS e começámos nós, como conselho, a tentar contactar também a ACSS para saber o que estava a acontecer e a pedir que fossem resolvidas”.

Ao fim da manhã, já perto do meio-dia, “soubemos que tais situações tinham sido retificadas e que, aparentemente, a listagem de colocação deixou de conter erros”, embora, saliente, “não saibamos exatamente o que aconteceu, porque não nos foi dada qualquer explicação”. Aliás, “a falta de comunicação da ACSS com os médicos e até com o conselho neste processo tem sido um problema e tem aumentado a desconfiança dos candidatos”.

Após ter recebido relatos de erros nas colocações, a ACSS voltou a “executar” o algoritmo para as resolver. Isto mesmo é assumido no comunicado enviado ao início da tarde às redações. “O algoritmo de colocação relativo ao lote 1 foi executado hoje, pela primeira vez, às 10:00, havendo necessidade de repetir o procedimento, o que aconteceu às 11:48”, reforçando que “para todos os efeitos, deve ser considerado o resultado decorrente desta última execução, tendo os resultados ficado de imediato disponíveis na plataforma para os candidatos”. Embora explique que “a possibilidade de repetir o procedimento esteve sempre prevista e não implica, e nem implicou, qualquer alteração às preferências submetidas pelos candidatos dentro do prazo estabelecido”.

Ordem e Fnam dizem ter havido outras situações

Mas os casos relatados pelo CNMI não foram os únicos a serem detetados como situações que não estavam a correr bem. Ao DN, Ordem e Federação Nacional dos Médicos contam que tiveram conhecimento de uma situação que pode ter colocado em causa “a violação de confiança no sistema” e que já pediram esclarecimentos à ACSS.

Segundo explicaram ao DN tanto a Ordem como a vice-presidente da Fnam, Joana Bordalo e Sá, “no dia 20 à tarde foi publicada uma listagem de colocação de internos na plataforma. Ora, um dia antes de estes terem de fazer as suas escolhas. Provavelmente, alguém carregou no botão errado, mas a situação gerou falta de serenidade e de confiança no processo”. O DN contactou a ACSS sobre esta questão que a explica com o facto de, “provavelmente, a plataforma estar a ser testada pela SPMS”. De qualquer forma, para o bastonário e para a dirigente da Fnam, “é uma situação inadmissível, quebra a confiança no processo”.

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