O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) reuniu no passado dia 22 de junho com o Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) do Tâmega e Sousa para discutir diversas preocupações manifestadas pelos médicos, nomeadamente os constrangimentos de estacionamento decorrentes das obras em curso e previstas no Hospital Padre Américo, a organização do trabalho médico, a avaliação do desempenho e as dificuldades sentidas na Medicina Interna.
Relativamente ao estacionamento, o Conselho de Administração informou que foi formalizado o contrato para utilização de um terreno localizado em frente ao Hospital Padre Américo, o que permitirá disponibilizar cerca de 350 novos lugares de estacionamento até ao final de agosto. Foi ainda referido que decorrem diligências para assegurar espaços adicionais, com o objetivo de atingir cerca de 900 lugares gratuitos durante o período das obras de ampliação do hospital.
O SMN recorda, contudo, que os atuais constrangimentos refletem também problemas estruturais há muito identificados. O Hospital Padre Américo encontra-se subdimensionado para responder às necessidades de uma população superior a meio milhão de habitantes, persistindo carências ao nível de camas de internamento, gabinetes de consulta e capacidade do bloco operatório.
No que respeita à jornada contínua, o Conselho de Administração comunicou que os médicos que pretendam beneficiar deste regime deverão apresentar o respetivo pedido, sendo a sua atribuição concedida nos termos legalmente previstos.
Relativamente à progressão dos médicos, o SMN foi informado que as avaliações se encontram regularizadas até 2025 e que já foram iniciados procedimentos para proceder à ponderação curricular para 2026. Foi igualmente referido que não foi renovado qualquer contrato com a empresa externa “Questão Resolvida”, anteriormente envolvida no apoio a processos avaliativos, reconhecendo o Conselho de Administração o descontentamento e as críticas manifestadas por diversos profissionais quanto ao modelo adotado.
O SMN manifestou ainda preocupação com a situação da Medicina Interna, marcada pela elevada pressão assistencial, insuficiência de camas de internamento e acumulação de doentes no Serviço de Urgência em períodos de maior afluência. O Conselho de Administração informou que uma nova Direção de Serviço se encontra a implementar medidas destinadas a melhorar a organização e a resposta assistencial.
O Sindicato dos Médicos do Norte continuará a acompanhar estas matérias, defendendo soluções estruturais, a valorização dos médicos e o reforço do investimento público e contratação de médicos, indispensáveis para garantir cuidados de saúde de qualidade à população da região.