O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) denunciou junto das Unidades Locais de Saúde (ULS) de Gaia/Espinho, Póvoa de Varzim/Vila do Conde e Alto Minho graves problemas de climatização, calor extremo, poeiras, ruído e sobrelotação, alertando para riscos para profissionais e utentes.

Em declarações ao JN, a presidente do SMN, Joana Bordalo e Sá, afirmou que o problema não está relacionado com conforto dos profissionais, mas com a existência de condições mínimas para prestar cuidados de saúde em segurança. “Não estamos a pedir um luxo. Estamos a falar de condições mínimas para tratar pessoas”, sublinhou.

Em Gaia, após a reparação da climatização na USF Vilar Saúde, o sindicato recebeu novas denúncias relativas às USF de Barão do Corvo, Caminho Novo, Viver Saúde e Monte Murado, todas com aparelhos de ar condicionado avariados e situações de stress térmico severo, incluindo relatos de desmaios de utentes. O SMN exige reparações urgentes, refrigeração provisória ou a realocação temporária da atividade.

A dirigente sindical alertou para a existência de gabinetes com temperaturas superiores a 40 °C, situação que tem provocado mal-estar entre utentes e profissionais, incluindo casos de desmaios durante a espera para atendimento.

Uma das situações mais graves ocorre na USF Terra Mar, da ULS Póvoa de Varzim/Vila do Conde, onde a climatização está avariada desde 2022. Segundo o sindicato, no inverno as instalações apresentam frio e humidade, enquanto no verão os gabinetes atingem temperaturas extremas. “Uma ventoinha a circular ar quente não resolve um problema desta natureza”, criticou Joana Bordalo e Sá, referindo-se à solução provisória adotada na unidade.

Outra denúncia refere-se ao Centro de Saúde de Vila Nova de Cerveira, onde decorrem obras sem que tenha sido criada uma solução alternativa adequada para profissionais e utentes. De acordo com o sindicato, os cuidados de saúde continuam a ser prestados em simultâneo com a intervenção estrutural, expondo todos os presentes a poeiras, calor, circulação de trabalhadores da construção civil e materiais de obra, além de um nível de ruído que compromete atos clínicos essenciais.

Obras impedem auscultação

“Quando uma obra impede uma auscultação cardíaca e pulmonar correta, já não estamos a discutir conforto. Estamos a discutir a segurança e a qualidade dos cuidados de saúde”, alertou a presidente do SMN.

O sindicato denuncia ainda a falta de espaço naquela unidade, onde existem apenas seis gabinetes para 14 profissionais, agravando as dificuldades de funcionamento.

Joana Bordalo e Sá reconheceu que médicos, enfermeiros e restantes profissionais continuam a trabalhar apesar das condições adversas porque sabem que há doentes e utentes que necessitam de cuidados, mas deixou um aviso: “A resiliência dos médicos e dos profissionais de saúde não pode substituir a responsabilidade das instituições”.

Numa primeira fase, o sindicato comunicou formalmente as situações às administrações das ULS e às autarquias envolvidas, admitindo recorrer à Autoridade para as Condições do Trabalho e à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde caso os problemas persistam.

A responsável recordou ainda que uma denúncia anterior relativa à USF Vilar Saúde, em Vila Nova de Gaia, levou à reparação da climatização no próprio dia, defendendo que as restantes situações devem receber uma resposta igualmente rápida e eficaz.

in JN