O Serviço de Anestesiologia do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto atravessa uma crise que ameaça a segurança dos doentes oncológicos. A equipa, atualmente com 27 especialistas, enfrenta uma crescente sobrecarga de trabalho, agravada pelas aposentações e saídas sucessivas de médicos.

Nos últimos meses, o serviço perdeu seis médicos: três especialistas experientes e três recém-especialistas que, após concluírem a formação no IPO do Porto, decidiram não permanecer na instituição e optaram por outros hospitais. As condições de trabalho pouco atrativas dificultam também a contratação de novos especialistas, comprometendo a capacidade de resposta cirúrgica e a realização de exames e tratamentos.

Para aumentar o número de consultas, o tempo destinado a cada consulta de Anestesiologia está a ser reduzido, contrariando as recomendações internacionais e da Ordem dos Médicos, com riscos para a segurança dos doentes.

Perante esta decisão, 23 médicos, que representam a maioria dos especialistas do Serviço de Anestesiologia, dirigiram uma carta ao Conselho de Administração, no final de setembro, manifestando a sua oposição à redução do tempo de consulta. Até à data, não receberam qualquer resposta.

Esta medida é particularmente preocupante num hospital oncológico, onde muitos doentes apresentam maior fragilidade e múltiplas doenças associadas. A segurança dos doentes não pode ser sacrificada para aumentar os números da produção assistencial.

Exigimos ao Conselho de Administração do IPO do Porto explicações urgentes sobre a redução do tempo de consulta e uma resposta à carta dos especialistas. A ministra da Saúde, responsável pela resposta do SNS, não pode permitir que esta situação continue a agravar-se. É urgente garantir condições de trabalho e remuneração que permitam contratar e fixar estes profissionais.

Os doentes com cancro do IPO do Porto precisam de respostas agora.

A segurança dos doentes não se comprime em vinte minutos.