O Serviço Nacional de Saúde faz 47 anos. É uma das maiores conquistas da democracia portuguesa e continua a garantir que, quando adoecemos, o tratamento não depende do dinheiro que temos no bolso.
Este aniversário também obriga a olhar para a realidade.
Faltam médicos nas equipas, as urgências continuam dependentes de trabalho suplementar e prestadores de serviços, há doentes que esperam meses por uma consulta ou cirurgia e mais de 1,3 milhões de cidadãos — um em cada oito — continuam sem médico de família. O SNS resiste porque, todos os dias, os seus profissionais continuam a segurá-lo.
O próprio planeamento do Ministério da Saúde até 2028 não aponta para as mudanças estruturais que precisamos e exigimos.
O Quadro Global de Referência do SNS 2026–2028 limita a 1,4% o reforço de trabalhadores em 2026, abaixo dos 1,9% previstos no ano anterior. A execução prevista do investimento cai de 76,47% em 2025 para 58,77% em 2028. E a percentagem de utentes com médico de família prevista para 2028 é praticamente a mesma de 2024.
Quatro anos depois, os mesmos problemas não podem transformar-se na normalidade.
O SMN analisou os números e as metas assumidas pelo próprio Ministério da Saúde:
👉 ANÁLISE COMPLETA DO SMN DISPONÍVEL AQUI e AQUI.
Aos 47 anos, o SNS precisa de investimento, de médicos com condições para ficar e de decisões que garantam aos cidadãos os cuidados de saúde a que têm direito. Os médicos conhecem os problemas, têm propostas e soluções concretas e continuarão a apresentá-las e a lutar por elas. Porque defender o trabalho dos médicos é defender quem precisa do SNS.