Quem aguarda uma cirurgia de Ortopedia ou de Neurocirurgia na Unidade Local de Saúde (ULS) de Santo António precisa de uma resposta. Viver com dor, perder autonomia ou deixar de conseguir trabalhar não pode ser o preço da incapacidade de decisão do Conselho de Administração e da ministra da Saúde.
Uma circular interna confirma que, em setembro, estão previstos apenas 193 programas adicionais no conjunto da atividade na ULS de Santo António — uma redução para cerca de um terço do habitual —, devido à suspensão de toda a produção adicional em Ortopedia e Neurocirurgia. É menos capacidade para operar e tratar os doentes destas especialidades que já estão em lista de espera.
Para os doentes, este bloqueio pode significar mais sofrimento, dependência e incerteza. Para as famílias, cuidados acrescidos e rendimentos perdidos.
O Conselho de Administração da ULS de Santo António tem de responder pela suspensão e pelas medidas que tomou para assegurar a realização destas cirurgias no Serviço Nacional de Saúde. A sua responsabilidade é garantir que a capacidade do hospital está ao serviço dos doentes. Comunicar um impasse não é resolvê-lo.
A ministra da Saúde não pode continuar a deixar os doentes à espera de decisões. Cabe-lhe definir regras claras e garantir condições para que as equipas possam operar. Anunciar o combate às listas de espera enquanto se deixa bloquear a atividade cirúrgica é falhar a quem depende do serviço público.
Exigimos explicações ao Conselho de Administração da ULS de Santo António e à ministra da Saúde: quantos doentes foram afetados, quantas cirurgias ficaram por realizar e quando serão retomados os programas?
O tempo de quem decide não pode valer mais do que o tempo de quem sofre.