O Sindicato dos Médicos do Norte reuniu com a administração da ULS do Alto Ave para exigir respostas a vários problemas identificados pelos médicos. Apesar dos compromissos assumidos, o sindicato considera que persistem problemas nos Cuidados de Saúde Primários e mantém a greve ao trabalho suplementar até 31 de dezembro.

O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) reuniu, a 21 de agosto, com o Conselho de Administração (CA) da ULS do Alto Ave, numa reunião destinada a discutir problemas identificados pelos médicos nos hospitais e nos Cuidados de Saúde Primários (CSP).

Uma das questões centrais foi a organização e contabilização do tempo de trabalho através do sistema de registo de assiduidade SISQUAL. Segundo o sindicato, a parametrização do sistema continua desadequada à realidade do trabalho médico, nomeadamente por originar a contabilização indevida de “horas negativas” durante os períodos de férias.

A ULS reconheceu o problema e comprometeu-se a introduzir mecanismos operacionais para o corrigir a partir de 1 de outubro. O SMN sublinhou, por seu lado, que os médicos não trabalham em regime de banco de horas e que os seus horários não podem ser geridos dessa forma.

Durante a reunião foram também discutidos os descansos compensatórios após trabalho aos domingos e feriados. De acordo com a ULS, estes descansos estão a ser atribuídos transversalmente desde 1 de julho, embora persistam situações pontuais por regularizar. A administração comprometeu-se a resolver esses casos, incluindo de forma retroativa, até ao final de setembro.

O sindicato mantém ainda a exigência do correto descanso após trabalho noturno. Defende que, sempre que um médico tenha trabalhado mais de oito horas nas 24 horas anteriores, incluindo período noturno, o tempo trabalhado para além dessas oito horas deve ser descontado ao período normal de trabalho do dia seguinte, como prejuízo de horário.

As chamadas “comissões gratuitas” também estiveram em discussão. O SMN defende que a respetiva contabilização deve ser feita em dias, e não em horas, nos termos legais. Foi ainda abordada a integração de médicos em escalas de outros hospitais ou ULS, que, segundo o sindicato, não pode ser imposta unilateralmente.

in Sapo