Sete estruturas sindicais e de utentes lançaram uma petição pública pela gratuitidade do estacionamento no Hospital de Braga, denunciando custos injustificados para trabalhadores e doentes, e exigindo a reversão de 25% da receita entregue à ACSS.
Foi a 13 de março, durante uma paralisação que já tinha colocado o tema na ordem do dia, que a questão do estacionamento no Hospital de Braga voltou a incendiar os ânimos. Agora, meio depois, o movimento ganha forma escrita: uma petição pública, subscrita por seis sindicatos e uma comissão de utentes, entrou em circulação nesta quinta-feira. O objetivo é simples na aparência, mas politicamente espinhoso — acabar com as taxas para quem lá trabalha e aliviar a fatura de quem lá vai tratar-se.
Quem assina o documento? De um lado, os representantes dos médicos do Norte, os enfermeiros (dois sindicatos distintos, note-se), os técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, e ainda os trabalhadores em funções públicas e sociais da região. Do outro, a Comissão de Utentes da Saúde de Braga. A coligação, pouco habitual pela amplitude, entrega-se a um diagnóstico comum: o modelo de exploração do parque é “injusto e penalizador”. Os profissionais, lê-se no texto, pagam para estacionar no próprio local de trabalho — um encargo que os promotores consideram um absurdo num serviço público. E os utentes, muitos em situação frágil ou com consultas repetidas, acabam por desembolsar valores que se tornam pesados.
Há ainda um dado concreto que alimenta a revolta: 25% da receita gerada pelo parque de estacionamento segue diretamente para a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS). Ou seja, o dinheiro que sai do bolso de enfermeiros e doentes não fica no hospital, nem serve para melhorar acessos. A petição quer a reversão imediata dessa verba para redução das tarifas cobradas aos utentes.
Entre as exigências listadas — e aqui o tom do documento torna-se mais incisivo — está a “isenção total e permanente” para todos os profissionais da ULS de Braga, sem excepções ou discriminações entre conselhos de administração, direções e quem está na linha da frente. Reclamam também soluções de acesso rodoviário exclusivo, que garantam segurança e fluidez, e uma revisão do contrato de concessão. A frase que resume o espírito da iniciativa, repetida pelos promotores, é esta: “a saúde não pode ser transformada num negócio de estacionamento”.
A petição pode ser lida e assinada no site da participação parlamentar, através do endereço http://participacao.parlamento.pt/initiatives/6161.
in Healthnews.