O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN-FNAM) esteve na ULS do Nordeste (ULSNE), numa visita à Unidade Hospitalar de Bragança e aos Centros de Saúde de Bragança da Sé e de Santa Maria, onde constatou no terreno que, apesar do desinvestimento continuado no Serviço Nacional de Saúde (SNS) no interior, a instituição continua a funcionar graças ao empenho, resistência e compromisso dos médicos, que vestem a camisola todos os dias.
É essa dedicação que tem permitido que a ULSNE resista à verdadeira “tempestade” do desinvestimento, num contexto marcado pela falta de médicos, pela perda progressiva de valências e por dificuldades crescentes na organização dos serviços. O SMN verificou que, ao longo dos anos, vários serviços têm sido assegurados por prestadores de serviço, numa lógica de precarização estrutural, nomeadamente em áreas como Ginecologia/Obstetrícia, Ortopedia, Urologia e Cardiologia, entre outras. Esta dependência de prestações externas fragiliza as equipas e tem contribuído para a perda de valências assistenciais, com impacto direto na resposta às populações.
Durante a visita, o SMN realizou uma reunião com médicos da ULSNE, onde ouviu de forma direta e clara as principais preocupações transversais aos profissionais, independentemente da especialidade ou área de exercício. Entre os temas mais referidos estiveram a falta de progressão vertical e horizontal na carreira, constrangimentos no exercício dos direitos da parentalidade, problemas relacionados com a tipologia de horários, bem como dificuldades no gozo efetivo de descansos compensatórios, num contexto de sobrecarga permanente.
O SMN-FNAM percorreu diversos serviços da Unidade Hospitalar de Bragança, assim como os Centros de Saúde de Bragança da Sé e de Santa Maria, contactando diretamente com profissionais e avaliando as condições de funcionamento das unidades. Este contacto direto permitiu confirmar que, apesar das limitações, são os médicos no terreno que continuam a assegurar cuidados de saúde às populações, muitas vezes à custa da sua própria exaustão.
O SMN alerta para a redução continuada do número de médicos internos de Formação Geral na ULSNE, que passaram de 38 em 2024 para 26 em 2025 e apenas 11 em 2026, resultado direto das opções do governo de Montenegro, que abre muito menos vagas no interior do que no litoral. Esta política está a esvaziar o interior de médicos, de capacidade formativa e de futuro.
A situação é agravada pelo encerramento, há mais de dois anos, da Urgência de Cirurgia Geral do Hospital de Mirandela, por falta de médicos, com impacto direto na segurança das populações.
O SMN sublinha que a dedicação dos médicos não pode continuar a ser usada para mascarar o desinvestimento no SNS, nem substituir políticas públicas responsáveis. Sem uma aposta séria na fixação de médicos no interior, na valorização da carreira médica e na reposição das valências perdidas, o futuro da ULS do Nordeste continuará em risco.
O Sindicato continuará no terreno, ao lado dos médicos que resistem e das populações do interior, a denunciar o desinvestimento, a exigir condições de trabalho dignas e a defender um SNS verdadeiramente universal, que não dependa do código postal.
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