A presidente do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) e vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos, Joana Bordalo e Sá, criticou a falta de médicos “em todo o Interior” de Portugal, sobretudo, na Unidade Local de Saúde do Nordeste (ULSNE) “onde não há um verdadeiro investimento em recursos humanos por parte do governo”, explicou à saída de uma visita aos vários serviços do Hospital de Bragança, esta quinta-feira, onde reuniu com médicos. “Aqui o serviço faz-se porque os médicos vestem a camisola”, vincou.
A sindicalista falou de “uma tempestade de desinvestimento no Interior, sobretudo, em termos de recursos humanos na ULSNE por parte do Governo de Montenegro”, mas elogiou os profissionais que trabalham Bragança, pois “vestem a camisola e conseguem assegurar os vários serviços da melhor forma”. Segundo Joana Bordalo de Sá, a “ULS só não está pior porque os médicos fazem o melhor que conseguem com o pouco que têm”.
Elisabete Pinelo, delegada em Bragança do SMN, admitiu que faltam “dezenas” de médicos na ULSNE, nomeadamente no Hospital de Bragança, “onde muito trabalho” é assegurado por prestadores de serviços. Ainda que as carências sejam diferentes entre os vários serviços, pois em alguns a falta é mais acentuada do que noutros, nomeadamente nas especialidades de Ginecologia-Obstetrícia, Consulta, Internamento e Ortopedia.
A falta de progressão nas carreiras “é desmotivante” para os médicos da ULSNE, também porque não abrem vagas. “Praticamente não são avaliados e estão no primeiro patamar da categoria a que pertencem, sem qualquer evolução na carreira. Vamos exigir ao conselho de administração que as avaliações se pratiquem e que os médicos possam progredir no seu escalão e por categorias”, explicou Joana Bordalo e Sá.
A ausência de vagas para formação de médicos internos é outra lacuna apontada pelo SMN. “Tem havido uma redução de internos até para o primeiro ano, com menos vagas”, constatou.
Em 2024, a ULS tinha 34 vagas, que baixaram para 26 em 2025. Este ano, são apenas 11 internos de formação geral. “Se não abrem as vagas desde o início é muito mais difícil no futuro fixar vagas. Nós entendemos que há muito mais vagas para o Litoral do que para o Interior, mas esta desigualdade não deve ser assim”, referiu a presidente do SMN, que reivindica “melhor distribuição equitativa entre as vagas para fazer a formação geral e depois a da especialidade, porque é o primeiro passo para atrair mais médicos para o Interior e o ULS”.
O encerramento da urgência médico-cirúrgica de Mirandela, há cerca de dois anos, também preocupa o sindicato “porque é longe, os transportes são difíceis e a população fica a descoberto”.
A deslocação a Bragança dos responsáveis do SMN-FNAM teve como objetivo fazer o diagnóstico da situação da ULSNE.
