Médicos denunciam novos casos em três regiões do norte.
Climatização avariada, mais de 40 °C, poeiras, ruído que impede auscultar doentes e gabinetes sobrelotados. O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) denunciou à Unidade Local de Saúde (ULS) de Gaia/Espinho, Póvoa de Varzim/Vila do Conde e Alto Minho e às respectivas Câmaras Municipais as condições que ameaçam profissionais e utentes.
Em Gaia, após ter sido resolvida a avaria na USF Vilar Saúde, surgiram novas denúncias na Unidade de Saúde Familiar (USF) Barão do Corvo, Caminho Novo, Viver Saúde e Monte Murado. Todas estão a funcionar com aparelhos de ar condicionado avariados, sob stress térmico severo, tendo ocorrido desmaios de utentes. O SMN exigiu reparações urgentes, refrigeração provisória ou realocação da atividade e suspensão do trabalho nos gabinetes perigosos.
Na ULS Póvoa de Varzim/Vila do Conde, a USF Terra e Mar tem a climatização avariada desde finais de 2022. No inverno, as instalações ficam geladas e húmidas; em julho, os gabinetes ultrapassaram os 40 °C. Já houve indisposição entre utentes, elementos do secretariado clínico e enfermeiros. Após sucessivos alertas, a única resposta foram dez ventoinhas, que apenas fazem circular ar quente e não asseguram o controlo de infeções. O SMN exige a reparação definitiva ou a transferência provisória da atividade.
No Centro de Saúde de Vila Nova de Cerveira, decorrem obras sem condições de proteção adequadas: temperaturas elevadas devido à ausência de climatização, acumulação de poeiras resultantes da intervenção estrutural e circulação cruzada de trabalhadores da construção civil e respetivos materiais em zonas comuns partilhadas com utentes e profissionais de saúde.
Esta situação suscita sérias e imediatas preocupações em matéria de higiene e controlo de infeção. O ruído provocado pelas obras compromete a comunicação e chega a impossibilitar atos clínicos essenciais, como a auscultação cardiopulmonar. A estas condições soma-se a escassez de espaços, com apenas seis gabinetes disponíveis para 14 profissionais. Perante este cenário, a ULS Alto Minho respondeu com apelos à “resiliência”. O SMN exige medidas imediatas: separação efetiva dos circuitos, controlo de poeiras e ruído, climatização temporária e disponibilização de espaços alternativos adequados.
Isto não é uma questão de desconforto: é um risco clínico, laboral e de saúde pública. O SMN já denunciou o calor extremo na USF Vilar Saúde e as falhas de climatização no IPO do Porto. Em Vilar Saúde a pressão produziu resultados e a climatização foi reparada. O SMN continuará a responsabilizar ULS e autarquias e recorrerá à Autoridade para as Condições do Trabalho e à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde se a segurança não for garantida.