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Começo por fazer a declaração de interesses: tenho 68 anos, sou médico cardiologista no ativo e farei tudo o que estiver ao meu alcance para não contagiar nem ser contagiado pelo Covid-19. Não consinto, porém, que este tudo me impeça de manter uma vida familiar, social e profissional dignas de um ser humano. Em trabalho exclusivo no SNS, tinha estabelecido os 70 anos como idade limite de atividade profissional, decisão que mantenho sejam quais forem as consequências e a evolução temporal da epidemia que nos aflige.

Estando na fronteira dos setenta anos, sinto-me dividido quanto à decisão que se anuncia de confinamento obrigatório dos mais velhos até ao aparecimento de uma vacina segura ou à descoberta de terapêuticas eficazes no combate à infeção por Covid-19. Sendo certo que é este o grupo de maior risco de mortalidade e o que mais sobrecarrega as unidades de cuidados intensivos, é, também, o mais ávido em reatar a vida relacional por saber que o tempo de vida que lhe resta é um bem precioso que escasseia.

Concordo que a necessidade de proteger os mais idosos não pode "estagnar" a vida dos mais jovens, como diz a investigadora Maria Manuela Mota em entrevista ao Expresso. Não me parece, porém, aceitável que para garantir o futuro dos mais novos se imponha o isolamento social dos mais velhos. Há nesta problemática um conflito de interesses geracional, digamos assim, que para ser dirimido requer soluções de compromisso.

Jorge Almeida

Médico Cardiologista

A Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos juntamente com a Câmara Municipal do Porto, tomaram a iniciativa de transformar o Palácio de Cristal num hospital de campanha para receber doentes Covid em fase de convalescença ou casos não complicados sem indicação para internamento hospitalar. O staff de apoio seria garantido, essencialmente, em regime de voluntariado embora, pela natureza dos doentes internados, implicasse uma logística de comando que teria de ser assegurada por uma equipe treinada no tratamento e na prevenção de risco de transmissão de infeção do vírus em causa. A iniciativa pareceu-me positiva e com pernas para andar, pois permitiria aos hospitais dar alta mais precoce a doentes em convalescença, mas ainda “contagiantes” e aliviar a carga social ao receber casos menos graves de infeção, embora sem condições para tratamento domiciliar ou em lar da terceira-idade.

(Ler o artigo completo no documento anexo)

terça-feira, 21 abril 2020 18:29 Publicado em Artigos de opinião

Não à epidemia do medo - artigo de Jorge Almeida

Dizem que anda por aí um andaço! Na aldeia vizinha só ontem foram cinco a enterrar. Na cidade os sinos não param de tocar a finados!

Era assim que num passado não muito distante se anunciavam as grandes epidemias como a que hoje estamos a viver

Ver o artigo completo no documento anexo

segunda-feira, 20 abril 2020 18:39 Publicado em Artigos de opinião

Homenagem - por Adão Cruz

 

Abril abriu muitas portas, por uma delas passou o Serviço Nacional de Saúde que, justamente, se enaltece no dia da Liberdade. Nesta data histórica, a Direção do Sindicato dos Médicos do Norte realça a importância de um Serviço Público de Saúde universal e inclusivo, sem o qual não seria possível o combate sem tréguas à epidemia que nos assalta.                                                        

A Direcção do SMN

Homenagem

 Sou médico há 56 anos. Lembro-me de sentir muitas vezes na minha vida profissional, vida que procurei levar o mais eticamente, o mais competentemente, o mais dedicadamente e conscientemente possível, desilusões e mesmo algum sentimento de desonra em pertencer à classe médica. Tudo isto, por comportamentos desviantes dentro da própria classe, dentro da sua especial missão de vida, que feriam o nosso principal tesouro, a dignidade e o profundo sentimento humanista.

Sempre tive e ainda tenho muitos amigos das mais diversas profissões, desde trabalhadores mais humildes até cientistas, empresários, políticos e banqueiros. A todos, de formas obviamente diferentes, nunca os deixei de homenagear com a minha leal e sincera amizade, e com o reconhecimento e admiração por muitos exemplos das suas vidas. Porém, esta pandemia que hoje está a roer a nossa existência individual, familiar e social criou em mim, no meio de todos os males, sentimentos que eu nunca havia experimentado de forma tão emocionada e profunda. Por isso a minha homenagem, nesta altura, a todos os profissionais de todas as áreas, amigos e desconhecidos, não pode caber dentro de limites, pois em situação tão complexa, tão intrincada e tão interactiva, é muito difícil separar os mais importantes dos menos importantes.

Nesta infelicidade que nos bateu à porta, há, no entanto, uma multidão de seres humanos que me levaram, indiscutivelmente, à reconquista de uma honra especial em pertencer à sua classe, a classe médica e o Serviço Nacional de Saúde. Um Serviço Nacional de Saúde, fruto do glorioso Vinte e Cinco de Abril, prestes a ser celebrado, um Serviço Nacional de Saúde que abrange políticos, autoridades sanitárias, administrativos, médicos, enfermeiros, auxiliares e pessoal mais anónimo, todos imprescindíveis ao seu funcionamento e ao seu mais sólido e nobre futuro. A todos a minha homenagem.

Fiz cuidados intensivos há largos anos, quando as unidades de cuidados intensivos começavam a aparecer, de forma muito primária, comparadas com as de hoje. Mesmo assim, senti bem fundo a responsabilidade e a abnegação que elas exigiam. Por isso, não me levem a mal que eu deixe aqui uma homenagem muito especial, acima de todas as homenagens, ao trabalho de todo o pessoal que de uma forma heróica dedica as suas vidas, nestes dias tão negros, à prática intensivista, em Portugal e fora de Portugal. São para mim, sem margem de dúvidas, os Heróis da actualidade, aos quais cada país, depois da vitória, deveria erguer o mais majestoso e merecido monumento. 

20.04.2020

                                                                                     Adão Cruz

Saúde e Segurança no Trabalho e COVID-19: quo vadis?

Os Serviços de Segurança e Saúde no Trabalho (SST), também designados por Serviços de Saúde Ocupacional, têm um papel central e incontornável no controlo da saúde dos trabalhadores.

Veja o documento na íntegra aqui

 

 

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