Santana Maia assinaria a carta aberta dos bastonários?
Julgo que não.
Quando, em 1993, o Dr. Santana Maia (1936-2012) tomou posse como bastonário da
Ordem dos Médicos foi uma surpresa geral. Não era cirurgião, não era professor, não
era de Lisboa. Tinha um passado de militância democrática e de participação cívica
multifacetada. Com António Arnaut, tinha o seu nome ligado à fundação do Serviço
Nacional de Saúde.
Se ainda vivesse, creio que não juntaria o seu nome à tese de que foi errada a resposta
firme à expansão da pandemia em março, abril e maio, pese embora os custos.
Provavelmente subscreveria as palavras finais dessa carta – «É o momento de reforçar
a capacidade de resposta da saúde pública, dos cuidados de saúde primários, da
saúde ocupacional, da medicina hospitalar, e de reforçar o acesso à saúde nas zonas
mais carenciadas. É o momento de concretizar a verdadeira transformação digital na
medicina à distância com respeito pela sua essência mas valorizando sempre a relação
humana médico-doente. É o momento de integrar a saúde e a segurança social nos
lares para melhor proteger os nossos idosos. É o momento do SNS unir os
portugueses. Não podemos voltar a deixar alguém ficar para trás.»
Mas certamente acrescentaria: Pode contar connosco para isso!

Rosalvo Almeida

quarta-feira, 14 outubro 2020 10:32 Publicado em Artigos de opinião

É tempo de cerrar fileiras: por Jorge Almeida

É com compreensível apreensão que assistimos ao crescimento do número de infetados pelo
vírus Covid-19. Aumento de casos que, como não poderia deixar de ser, tem reflexo no
número de internados em regime de enfermaria e de cuidados intensivos nos hospitais do
SNS. O problema está em que, ao invés de encararmos este facto como expectável face à
natureza do agente infetante e do que sucede em países vizinhos, cerrando fileiras no combate
ao vírus, procuramos responsáveis pelo recrudescimento do surto infecioso....

(ver artigo em anexo)

Os médicos ganham de ordenado o mesmo que há 20 anos, com a conversão escudo para euro, para um custo de vida que duplicou ou triplicou. Não se percebe esta relação amor-ódio relativa à sua profissão.

Ver link aqui 

 

O que dizem os médicos: devíamos recusar tratamentos
aos ‘anti-máscaras’, se ficarem doentes com COVID-19?
Batya Swift Yasgur, MA, LSW
“Physicians Are Talking: Should Anti-
Maskers Refuse COVID-19 Treatment if
They Become Ill?”
Medscape, 14 de setembro de 2020
Recusar-se a usar uma máscara provoca a fúria de muitas pessoas em todo o mundo. Num caso
extremo, recente, oito pessoas em East Java, Indonésia, que se recusaram a usar máscaras faciais em
público, foram punidas com a ordem de cavar sepulturas para outras pessoas que morreram de
COVID-19.
O presidente da autarquia designou duas pessoas para cada sepultura – uma para cavar a
sepultura e a outra para colocar tábuas de madeira dentro da cova para sustentar o cadáver. “Oxalá
isso possa criar um efeito dissuasor contra os infratores”, disse.
Obviamente, essas medidas draconianas nunca aconteceriam nos EUA. Ainda assim, o uso de
máscaras tornou-se um assunto controverso, com vários pontos de vista e sistemas de valores
convergindo num pequeno quadrado de pano. O uso de máscara é recomendado pelo CDC para
minimizar a disseminação de COVID-19, mas muitas pessoas, incluindo alguns profissionais de saúde,
discordam dessas recomendações.
Um comentário recente no Medscape por Arthur L. Caplan, PhD, diretor da Divisão de Ética
Médica, NYU Grossman School of Medicine, Nova Iorque, abordou uma dessas questões, sugerindo
que as pessoas que se recusam a manter o distanciamento social ou a usar máscaras deviam disporse
a “ir até o fim, em termos de acesso a cuidados de saúde”........

ver o documento na íntegra em anexo

segunda-feira, 07 setembro 2020 13:36 Publicado em Artigos de opinião

O SNS em tempos de exceção. Artigo de Jorge Almeida

Vivemos tempos de exceção, a pandemia Covid 19 tomou conta das nossas cabeças. Face à
evolução imprevisível da situação infeciosa tudo é equacionado em função da mesma, na Saúde
em particular.
Se no Serviço Nacional de Saúde (SNS) os problemas já eram muitos hoje são avassaladores. O
SNS vê-se obrigado a responder a mais uma exigência de saúde pública que, além de exigir
respostas imediatas, requer um estado de alerta permanente a todos os níveis de cuidados de saúde

(ver o texto na íntegra em anexo)

sexta-feira, 21 agosto 2020 16:01 Publicado em Artigos de opinião

Eutanásia por Desidério Murcho

Eutanásia

por Desidério Murcho

O filme Mar Adentro (2004), de Alejandro Amenábar, conta uma história factual como infelizmente muitas outras. Ramón Sampedro Cameán (1943–1998) ficou quadriplégico aos vinte e cinco anos: incapaz de mexer as pernas, os braços e o tronco, ficou numa cama, inteiramente dependente dos cuidados alheios. Ao longo de vinte e nove penosos anos, Ramón Cameán lutou pelo seu direito legal à morte assistida. Devido ao seu estado, não conseguia pôr fim à sua própria vida sem ajuda. Porém, quem o ajudasse seria acusado imediatamente de homicídio pelas solícitas autoridades. Além disso, os tribunais espanhóis recusaram-lhe o direito a uma morte condigna; mais tarde, também a Comissão Europeia dos Direitos Humanos provou que a maldade humana não tem limites, insistindo em condená-lo a uma vida que ele não queria viver, e que tinha evidentemente o inquestionável direito de não querer viver. É difícil imaginar o que é estar condenado a uma cama, sem sequer se conseguir coçar. Apesar disso, escreveu um livro, Cartas do Inferno (1996), reeditado mais tarde, aquando do merecido sucesso do filme de Amenábar. Depois de vinte nove penosos anos, Ramón acabou por conseguir a ajuda de vários amigos que, em segredo e coordenadamente, o ajudaram a morrer, no dia 12 de Janeiro de 1988, em Boiro, na Espanha. Uma amiga chegou a ser presa por homicídio, mas foi solta por falta de provas.

(ver o artigo na íntegra em anexo) ou https://estadodaarte.estadao.com.br/eutanasia-desiderio-murcho/

 

Daniel Marchalik, Dmitriy Petrov - The Lancet

ver atigo completo em anexo

Marcin Chwistek, MD, Supportive Oncology and Palliative Care Program I, Fox Chase Cancer Center, Philadelphia, Pennsylvania
JAMA. Publicado online em 25 de junho de 2020. / doi:10.1001/jama.2020.10619 / “Are You Wearing Your White Coat?” ?

Ver artigo completo em anexo

Nesta discriminação sem sentido entre nações europeias, a Dinamarca deu o pontapé de saída: Podem entrar todos menos Suecos e Portugueses. Dado o mote, outros tantos países houve que lhe seguiram a peugada entre os quais, espanto dos espantos, a nossa velha e incondicional histórica aliada e, há que dizê-lo, mais que todos infetada.

Mesmo sabendo da impossibilidade de conter a vinda de turistas da Grã-Bretanha via Espanha, ou talvez por o saber, o governo de Boris Johnson decidiu juntar-se ao coro dos estigmatizantes. É caso para dizer, não fosse a forte crise que atravessa a indústria do Turismo, estaríamos gratos ao preclaro primeiro-ministro Inglês pela tentativa de nos pôr a salvo de visitantes do país europeu com maior número de mortos e de internados em cuidados intensivos pelo Covid-19.

O problema é que, Algarve em especial, estamos mesmo necessitados de visitantes estrangeiros que nos ajudem a reabilitar a hotelaria e indústrias associadas. Ou, para ser mais claro, precisados de divisas que ajudem a mitigar a enorme crise económico-financeira em que, sem mais culpa que os demais, nos vimos mergulhados.

Dito isto e porque já ninguém nos livra do estigma de “feios, porcos e maus” fica o desafio ao Governo: E se, numa atitude de discriminação positiva, convidássemos especificamente os Suecos a vir visitar-nos neste verão?

 

Jorge Almeida, Porto

 

 

 

 

Sempre me sensibilizaram os monumentos erguidos em nome do soldado desconhecido, vítima anónima de uma qualquer guerra mundial. Mais que estátuas que homenageiam políticos e chefes militares, toca-me o reconhecimento conferido às vítimas diretas de um conflito para o qual não foram ouvidas nem achadas.

Estou certo de que irão ser propostas homenagens às vítimas da atual epidemia Covid-19. Com toda a justiça, uns clamarão: aos profissionais de saúde; aos políticos que delinearem a estratégia de combate à epidemia; aos idosos, grupo etário mais vitimado … outros, mais ciosos, irão pôr-se bico de pé exigindo o lugar de “primus inter pares”.

Face ao tamanho e relevância dos eleitos, receio que ninguém se lembre de propor que seja erigido um monumento à vítima desconhecida prestando o devido tributo a todos, incluindo aos trabalhadores das profissões menos reconhecidas.

Bem sei que é cedo para o fazer, mas, para que conste, fica a proposta feita.

Jorge Almeida, médico Cardiologista

sábado, 16 maio 2020 14:13 Publicado em Artigos de opinião

A peste - artigo de Jorge Almeida

Além da oportunidade de apreciar a arte literária de um dos maiores escritores do pós-guerra, valerá a pena ler ou reler a Peste de Camus?

No auge da devastação Covid-19 li, algures, ser este um dos romances mais procurado em Itália. Lembrava-me de o ter lido há muitos anos, mas pouco ou nada restava na memória para além da impressão de ser um pouco “seca”. Seria mesmo ou não teria apreciado devidamente a obra por pouca maturidade? Curioso, procurei o livro na minha “lixeira” literária e reli-o em plena ascensão da epidemia entre nós.

Não vou discutir o estilo de escrita, não porque não gostasse de ter o saber para tanto mas, sem falsa modéstia, por reconhecida incompetência. Limito-me a dizer em abono que aprecio a escrita depurada: frase curta e incisiva, poupada em adjetivos e em figuras de estilo.

Quanto à riqueza na caracterização das personagens, comportamento humano e  pano de fundo emocional em que se movimentam, o livro mantém toda a atualidade: A densidade humana da figura central do romance, o médico que, do principio ao fim se entrega sem hesitações ao tratamento dos doentes,  procurando soluções para pôr cobro a uma epidemia inclemente; o oportunismo do agiota que, mesmo quando tudo vai ruindo à sua volta, não para de enriquecer à custa da miséria alheia; a hesitação do “estrangeiro” que se debate entre a fuga hedónica e o sentido do dever, decidindo ficar para dar corpo à luta contra o flagelo.

Mesmo a incerteza do tempo que hoje vivemos, será que já nos livrámos do “bicho” ou tudo não passa de falsa trégua, está bem retratada nesta obra intemporal.

Leiamos pois a Peste de Camus.

 Jorge Almeida

 
 
 

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