Eutanásia por Desidério Murcho

sexta-feira, 21 agosto 2020 16:01

Eutanásia

por Desidério Murcho

O filme Mar Adentro (2004), de Alejandro Amenábar, conta uma história factual como infelizmente muitas outras. Ramón Sampedro Cameán (1943–1998) ficou quadriplégico aos vinte e cinco anos: incapaz de mexer as pernas, os braços e o tronco, ficou numa cama, inteiramente dependente dos cuidados alheios. Ao longo de vinte e nove penosos anos, Ramón Cameán lutou pelo seu direito legal à morte assistida. Devido ao seu estado, não conseguia pôr fim à sua própria vida sem ajuda. Porém, quem o ajudasse seria acusado imediatamente de homicídio pelas solícitas autoridades. Além disso, os tribunais espanhóis recusaram-lhe o direito a uma morte condigna; mais tarde, também a Comissão Europeia dos Direitos Humanos provou que a maldade humana não tem limites, insistindo em condená-lo a uma vida que ele não queria viver, e que tinha evidentemente o inquestionável direito de não querer viver. É difícil imaginar o que é estar condenado a uma cama, sem sequer se conseguir coçar. Apesar disso, escreveu um livro, Cartas do Inferno (1996), reeditado mais tarde, aquando do merecido sucesso do filme de Amenábar. Depois de vinte nove penosos anos, Ramón acabou por conseguir a ajuda de vários amigos que, em segredo e coordenadamente, o ajudaram a morrer, no dia 12 de Janeiro de 1988, em Boiro, na Espanha. Uma amiga chegou a ser presa por homicídio, mas foi solta por falta de provas.

(ver o artigo na íntegra em anexo) ou https://estadodaarte.estadao.com.br/eutanasia-desiderio-murcho/

 

 
 
 

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