Nem que seja à terceira! - artigo de Jorge Almeida

quarta-feira, 29 abril 2020 16:03

Face aos resultados obtidos até hoje no combate sanitário ao COVID-19, todos concordaremos que a primeira batalha foi ganha. Conseguimos conter a epidemia trazendo o número mágico R0 (tradutor da contagiosidade do vírus) de um valor superior a 2 para próximo de 1, mantendo uma taxa de ocupação de camas em cuidados intensivos de cerca de 50%.

Atendendo à agressividade do agente em causa, traduzida na elevada morbimortalidade observada em países vizinhos, temiam-se resultados idênticos entre nós. Porém, a sagacidade da inteligência científica nacional e a pronta resposta política, aliadas e essa espécie de general Wellington que é o nosso Serviço Nacional de Saúde, souberam encontrar a estratégia e as respostas, mais adequadas a levar de vencida o inimigo nesta primeira refrega.

Porém, tenhamos a noção que ganhámos a batalha, mas ainda não a guerra. O inimigo continua por aí e se lhe dermos o flanco pode voltar a atacar em força. Para o evitar, temos de saber conciliar as medidas de isolamento social e a necessidade de abertura para nos refazermos economicamente, mantendo o Serviço Nacional de Saúde preparado para o que der e vier.

Não sabemos se estamos no rescaldo da primeira ou se travámos vitoriosos a última batalha, sabemos sim da nossa determinação em vencer a guerra, nem que seja à terceira como diz o Povo.

Jorge Almeida  

Médico Cardiologista

 
 
 

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